Home Automobilismo Bortoleto virou o centro de gravidade da Audi na Fórmula 1

Bortoleto virou o centro de gravidade da Audi na Fórmula 1

O brasileiro fez sozinho a maior parte dos pontos da estreante alemã e encara agora o mês mais apertado do calendário

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A Fórmula 1 chegou a setembro de 2026 com uma constatação que ninguém previa em março: a troca de geração aconteceu, e ela veio rápido. Kimi Antonelli lidera o Mundial de Pilotos com 242 pontos depois de doze etapas, com seis vitórias, seis poles e dez pódios no currículo. O italiano da Mercedes corre atrás do primeiro título e, até aqui, corre sem tremer.

Atrás dele o campeonato ficou embolado. George Russell e Lewis Hamilton dividem a segunda posição com 183 pontos cada, e logo depois vêm Lando Norris, com 159, e Charles Leclerc, com 155. Entre as equipes a Mercedes abriu distância, mas Ferrari e McLaren seguem se estranhando pelo segundo lugar rodada após rodada.

É no meio dessa bagunça que aparece Gabriel Bortoleto. E o número que melhor explica a temporada dele não está na tabela de pilotos, está na de construtores. O brasileiro soma 10 pontos. A Audi soma 16. Faça a conta: o piloto de 21 anos, nascido em Osasco, responde sozinho por mais da metade de tudo que a equipe alemã conquistou em seu primeiro ano de projeto próprio na categoria. Para quem chegou como novato dentro de uma estrutura novata, isso vale mais do que a colocação no campeonato.

O GP da Holanda, última prova antes da pausa, resumiu bem o ano. Bortoleto cravou o nono lugar no grid e foi chamado pela própria equipe de o melhor do resto, expressão que na F1 é elogio e provocação ao mesmo tempo. Aí veio a chuva antes da largada. O brasileiro perdeu posições logo nas primeiras voltas, ainda rodou no meio do caminho e cruzou a linha em 13º. Ritmo havia. Sorte, não.

Setembro não perdoa. São três corridas em três semanas: Monza, entre os dias 4 e 6, a estreia do circuito de rua de Madri, entre 11 e 13, e Baku, entre 25 e 27. Traçados de asa curta, muro perto e pouca margem para erro. É exatamente o tipo de fim de semana em que um carro de meio de pelotão costuma sair com pontos no bolso, desde que o piloto esteja lá quando os outros escorregarem.

E tem o capítulo que o torcedor brasileiro espera há quase uma década. O GP de São Paulo acontece em Interlagos no dia 8 de novembro, e Bortoleto vai subir naquele grid carregando o mesmo peso simbólico que Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna carregaram antes dele. Com uma vantagem que nenhum dos três teve na estreia: tempo. Aos 21 anos, ele ainda tem carreira inteira pela frente para transformar expectativa em troféu.


Classificação após o GP da Holanda, 12ª etapa da temporada 2026. Próxima prova: GP da Itália, em Monza, de 4 a 6 de setembro